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Bambino
Tallenna

Bambino

BAMBINO ERA UMA VEZ UM MENINOT o forte que "dobrava" uma esquina, e com a "linha" do horizonte remendava os rasgos do passado, mas era com a linha do tempo que tecia seu futuro. Enchia a Lua e acendia cada estrela, todo santo dia. N o era santo, talvez um anjo, perdido, dividido, como todo mundo, ora no trilho do bem, ora no trem do mal. Um andarilho, um pobre menino deslumbrado com as vitrines de grife. Seu destino era o mundo, tocava v rios instrumentos, mas sua prefer ncia era tocar a Vida, tocar em frente. Na noite calada declamava poesia, para as sombras vol teis, prisioneiras da rua. Sempre cobria a sua verdade, para que n o se apresentasse nua, e tamb m lhe deitava fervura, para que n o se apresentasse crua. Na corda era bamba, no cora o e nos p s era samba, ginga flex vel feito mola, ora se esticando todo, feito goleiro bom defendendo o gol sagrado da bola, ora se recolhendo, se encolhendo, se contorcendo e sumindo, virando inc gnito num mar de gente infeliz. Tamb m era bom na bola da vida, posto que driblara a morte. Estando em sua beira, por puro bom senso ou prote o divina, resolveu recuar. Era sempre um aprendiz, um ne fito, talvez um cavaleiro Jedai sem espada, um ap stolo desgarrado do mestre, querendo engolir sempre mais do que podia digerir. Ningu m lhe deu uma m o, no m ximo recebeu um tapa, um empurr o, ou s por farra um par de luvas po das, para segurar a barra, sabe? At que um dia..., bem esta outra hist ria. O tempo n o lhe envelhecia, porque vencia cada batalha, cada hora do dia se ocupando em n o oferecer resist ncia, apenas se deixando levar. E o tempo passava, sem perceb -lo, sem not -lo. Seguia o vento, ora pr c , ora pr l . -Ora-pro-nobis minha senhora , repetia sem parar no altar da igrejinha imagin ria. Porque muitas vezes, flagelado pela fome e pelo frio, se compadecia n o de si, mas de d , dos outros do lado de l , que nem o Sol conheciam. Sabia que a diferen a entre a bomba e a pomba era apenas um "b", e a diferen a entre a vida e a morte apenas um "se". Cresceu r pido, como um eucalipto, mas n o tinha os p s de fruta para se alimentar, nem de caqui, nem de mam o, tinha os p s de vento, seu aliado quando queria voar, quando queria voltar para a m e que n o teve, para o pai desconhecido. Mas era s uma ilus o . At que um dia...., deixa pra l . Poderia ter sido um bandido, perdido entre tiros, mas preferiu continuar sendo um menino perdido entre balas, e sorvetes, entre bolas e enfeites, como toda crian a deveria se achar. Porem vencido pela adolesc ncia, pela aus ncia de um lar, resolveu se aposentar, de agora em diante n o seria mais um cigano replicante, queria se soltar, se prender a alguma coisa maior. Maior que o c u, maior que o mar. E ent o um belo dia, desses que a chuva passa longe, e o vento n o assovia, e s reinam absolutos: o azul do c u, sem nuvem alguma, e o laranja do Sol colorindo ameno toda vida, ele resolveu se apaixonar. Se escolheu certo ou errado n o se tem not cia, mas pelo que consta no cerne da quest o crucial, sem esse sentimento experimentado, sorvido, entalado, ningu m poder dizer uma nica vez, que aprendeu o que a Vida, sem amar. Ent o esse nosso menino, que do sofrimento fez uma partitura, pode finalmente tocar, a sua m sica mais bela, mais terna, e deixar para o mundo um legado: "ningu m um pobre coitado, salvo aquele, que n o permitiu se deixar amar". E de varanda em varanda, de vento em popa, de galho em galho, ele continuou a pular, continuou a procurar a sua musa, sua fada, a sua ninfa t o peculiar.E a achando se perdeu, no ponto cego do ego desfaleceu, virou sapo untanha e adormeceu. Mas uma bela princesa, dessas de olhos verdes ou azuis, uma noite o encontrou, e com um beijo doce o despertou. E para terminar a sua trajet ria, cheia de luta, cheia de gl ria, e de uma forma in dita, para terminar essa hist ria, s resta dizer que: "Foram felizes para sempre".At que um d
Kirjailija
Pedro Caieiro
ISBN
9781973107682
Kieli
portugali
Paino
268 grammaa
Julkaisupäivä
1.10.2017
Sivumäärä
178